quinta-feira, 16 de abril de 2009

delírio do dia

certas histórias poderiam ser vividas só no meio.
sem início, sem fim
às vezes é bom viver sem prólogo, sem saber de amanhã.
ou até do instante seguinte.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

corrente

Imagine um rio
e, como uma foto, num instante dessa corrente congelada, um rosto.
na linha da eternidade, um eu existente.
uma expressão frágil, como parte de algo na iminência da mudança, de transfiguração em nova forma na água.
existência instável.

Imagine um rio
sem correntes congeladas, mas todos os rostos possíveis passando livres pela correnteza alternando-se, sem medo, no ir e vir da dissolução.

Visto um pouco mais de trás, o rio tem margens firmes,
forma precisa,
e destino certo: o oceano.

quinta-feira, 5 de março de 2009

botero, botticelli e beatrix











o mágico porvir


tanto espero
tanto sonho
tanto no futuro
que agora é difuso
eterno o porvir desejado
eterna a espera do sagrado
eterno casulo
útero-floresta
nascer? me tiraram
ainda preciso aprender a romper o véu:
coragem de viver

fazer, fazer, fazer

muita coisa anda acontecendo.
sempre tenho a sensação estranha que faço muito mais coisas do que aguento e menos do que deveria. Isso é um aforismo muito cansativo, me tira a energia pra fazer outras coisas.
fazer com prazer.

(são 5:52. eu deveria estar dormindo. deveria?)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

20.01.2009

Hoje acordei de insônia. O Pedro mamou e não dormi. Um bicho, que não o pernilongo, zumbia em minhas orelhas.
No ouvido, na verdade.
Levantei, atizicada. era quase claro, coisa que na roça é bonito de ver, coisa que aqui tanto faz. Mas ainda há silêncio.
Hoje amanheceu com espírito de dia profético. Algo bom.
Hoje tem a posse do Obama, mas não tinha a ver com isso (espero que também tenha, no fim das contas)
É algum gosto de destino descoberto. Uma porta que se abriu na alma (espero que também na matéria, no fim das contas)
No fim das contas
No começo de alguma coisa.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

crianças invisíveis







Acabo de ver o filme Crianças Invisíveis.

Não vou fazer nenhuma crítica. Simplesmente, se você nunca o viu, veja. É arrebatador.

Uma onda de comoção imensa me tomou. Chorei, como há muito não chorava. Não foi por tristeza, mas por conexão. Porque ao ver dramas de tantas crianças pelo mundo afora, dramas ficcionais (reais?), poéticos e nossa... juro que não foi por tristeza. Foi alegria de ter me conectado com minha própria espécie, como há muito tempo não fazia.
Ando falando muito, ando sentindo pouco.
Hoje me dei conta disso, e algo descongelou.
Fica uma gratidão aos atores mirins que tomaram de outros a sua história, ludicamente representada.

Fica a certeza de uma necessidade: Tornar o mundo bonito, acessível, justo. Especialmente, justo.

Renova todas as causas, renova todos os ânimos.

A circulação.

A todas as crianças do mundo: obrigada, obrigada, obrigada. Que vocês sejam testemunhas de um novo tempo.