o carcereiro
ele, na espreita
ele, sorrindo, olhando de lado. esperando o momento certo do bote.
ele, cheio de si e de críticas a mim
ele, vampiro
ele, traiçoeiro, sedutor
ele, jogando pra mim toda culpa do mundo.
ele, me julgando e condenando sempre minha falsa submissão
ele, me impedindo de ser plena e feliz
ele tirando o tapete
ele, cortando meus pés à entrada da morada
ele, jogando fumaça nas minhas certezas
ele, fingindo ser guia
ele, bússola que aponta pro sul.
ele, necessidade infantil de referência externa, ponto de referência de uma luta interminável e desigual.
ele, inimigo sempre evocado e projetado em humanos com rostos similares
ele, por que masculino?
ele, o perigo.
domingo, 24 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
dos tais editais
Ontem foi meu aniversário. comemorei meus 34 anos pegando assinaturas pra mandar a GIRA prum edital, ProAC.
Meio puta de ser tão workahoolic, mas o lado bom foi ver amigos.
Isso foi bem significativo. Fazer a palavra circular é o que falta no ano que entra.
Universo, posso?
Meio puta de ser tão workahoolic, mas o lado bom foi ver amigos.
Isso foi bem significativo. Fazer a palavra circular é o que falta no ano que entra.
Universo, posso?
terça-feira, 5 de maio de 2009
blogs
blogar deixa a palavra quente, querendo sair.
a gente não precisa smpre acordar das profundezas.
Do cotidiano, vem o essencial.
a gente não precisa smpre acordar das profundezas.
Do cotidiano, vem o essencial.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
domingo de ouro e rosas
nesse último domingo, passei um dia com o Pedro. Só nós 2.

fomos ao teatro (a primeira pecinha dele), um trabalho muito bacana da Pia Fraus, Bichos do Mundo. Depois, como quem não quer nada e tem muito tempo livre - e nós tínhamos -entramos na Casa das Rosas.

Fazia um final de tarde lindo. Dividimos um pedaço de bolo, e logo ele se meteu na aventura de correr pelos jardins. Descobriu a fonte de água, quis se jogar lá dentro, depois se contentou com os respingos de água na palma da mão. Ignorava as flores e cheirava as folhas, com uma expressão de quem decifrava um odor já oculto para maiores de dois anos. Sorria como nunca, enquanto corria pelo espaço livre, e só atrasava os passinhos para olhar para trás e conferir se eu o estava seguindo - pelo puro prazer de dividir seu prazer de estar ali. Era tanto êxtase que sobrou um pouco para mim. Tomei carona nessa alegria e senti, eu mesma, a força daquele jardim, a sensação mágica e maravilhosa de estar vivendo simplesmente aquele momento: eu e Pedro correndo por baixo das trapadeiras, cercados pelas rosas. Eu, cuidando para que nada sério acontecesse; ele, sem saber, cuidando para que a seriedade saísse de minha alma. Ficamos ali, momentos eternos, o sol dourando as paredes, até que ele mesmo encerrou o passeio indo insistentemente para a calçada, para além daqueles limites. Porque o mundo é muito grande pra ficar só ali, cheirando folhas.
No estacionamento, me beijava e abraçava, transbordando o encantamento do passeio.
E naquela casa, que já abrigou tantas horas de minha vida, que viu nascer e morrer a Cia dos Dramaturgos, que é testemunha dos meus devaneios e cúmplice dos meus íntimos anseios, vivi uma vontade louca de rir e chorar, e mais ainda, de viver.
e aí, dá tempo?
segunda-feira. só a semana que começa, mas o prazo pra muita coisa tá acabando. pra pagar contas, pra fazer projetos, pra resolver pendências chatas que eu adio até o último minuto, entre outras milhares. prazo pra muita coisa se acabando...Isso inclui o mundo, por causa das guerras e da ameaça nuclear, isso inclui as calotas polares, por causa do que todo mundo já sabe, isso inclui minha paciência pra tudo isso, isso inclui...
posso tomar um ar, por favor?
às vezes, dá vontade de fazer que nem o Hero Nakamura, congelar o tempo. Dá vontade de congelar só as ações filhas da puta e poder gozar um pouco e sem pressa as coisas boas - e são tantas! - desse mundo.
isso é culpa? é.
prepotência? é.
criancice? é.
mas eu sinto assim. tem conserto?
posso tomar um ar, por favor?
às vezes, dá vontade de fazer que nem o Hero Nakamura, congelar o tempo. Dá vontade de congelar só as ações filhas da puta e poder gozar um pouco e sem pressa as coisas boas - e são tantas! - desse mundo.
isso é culpa? é.
prepotência? é.
criancice? é.
mas eu sinto assim. tem conserto?
quinta-feira, 16 de abril de 2009
delírio do dia
certas histórias poderiam ser vividas só no meio.
sem início, sem fim
às vezes é bom viver sem prólogo, sem saber de amanhã.
ou até do instante seguinte.
sem início, sem fim
às vezes é bom viver sem prólogo, sem saber de amanhã.
ou até do instante seguinte.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
corrente
Imagine um rio
e, como uma foto, num instante dessa corrente congelada, um rosto.
na linha da eternidade, um eu existente.
uma expressão frágil, como parte de algo na iminência da mudança, de transfiguração em nova forma na água.
existência instável.
Imagine um rio
sem correntes congeladas, mas todos os rostos possíveis passando livres pela correnteza alternando-se, sem medo, no ir e vir da dissolução.
Visto um pouco mais de trás, o rio tem margens firmes,
forma precisa,
e destino certo: o oceano.
e, como uma foto, num instante dessa corrente congelada, um rosto.
na linha da eternidade, um eu existente.
uma expressão frágil, como parte de algo na iminência da mudança, de transfiguração em nova forma na água.
existência instável.
Imagine um rio
sem correntes congeladas, mas todos os rostos possíveis passando livres pela correnteza alternando-se, sem medo, no ir e vir da dissolução.
Visto um pouco mais de trás, o rio tem margens firmes,
forma precisa,
e destino certo: o oceano.
Assinar:
Postagens (Atom)
